Nesta segunda-feira, o Los Hermanos gravaram um especial no programa Ensaio, da TV Cultura. Para quem não conhece, o programa é uma mistura de música e entrevista que está no ar há mais de 30 anos, dirigido por Fernando Faro.
Extremamente lisonjeados por participarem do Ensaio, os integrantes contaram sua história e cantaram músicas que consideram importantes na carreira.
Marcelo Camelo fala de sua paixão por Araci de Almeida e canta trechos de sambas antigos.
O programa vai ao ar dia 09 de setembro, sexta-feira, às 22h00.
postado por: DANIEL DA COSTA JUNIOR 01:02 ::. Fórum .::
Quarta-feira, Agosto 24, 2005
Por outro lado...
Análise um pouco menos minimalista do que a do post abaixo feito pelo Carlos Eduardo Lima para a "Scream&Yell"
"Os Hermanos conseguiram neste quarto trabalho atingir o objetivo que se insinuava no Bloco, virou leitmotiv em Ventura (2003) - fazer música dejá vu nunca vista. Sim, esta é uma frase pouco inspirada de uma música dos Engenheiros do Hawai, cujo título escapuliu pela esquerda da página, mas que define com exatidão satisfatória o que se ouve agora. É música de almoço de domingo com a família com Coca Cola litro de vidro nos anos 70, música de amor por alguém que nunca nos olhou nos anos 80 ou música de faculdade e tédio no quarto nos anos 90. Talvez possa já ser música de porta de LAN house, depois do fora via MSN, nos anos 00."
Saiu no site oficial o set-list do show de estréia em Vitória-ES, são 9 músicas do "4", 9 do "Ventura" e 2 do "Bloco...". O que vocês acharam? Alguém foi pra esse show?
01- Dois Barcos
02- Primeiro Andar
03- O Vento
04- Além do Que Se Vê
05- A Outra
06- Retrato Pra Iaiá
07- Do Sétimo Andar
08- Horizonte Distante
09- Tá Bom
10- Último Romance
11- Conversa de Botas Batidas
12- Um Par
13- Morena
14- Cara Estranho
15- Pois é
16- Santa Chuva
17- Condicional
18- A Flor
19- Paquetá
Já está no ar o novo clipe dos Hermanos, o clipe de 'O Vento'. A estréia foi hoje, no Pulso MTV. O clipe foi feito sobre umas imagens gravadas em uma câmera normal, bem no estilo de 'O Vencedor'. Algumas imagens podem sugerir mensagens ocultas - como o sol e a capa do '4' ; na parte que aparece 3+1 ; um barquinho no mar (seria alusão a 'Dois Barcos'?) - ou podem sugerir nada mesmo, pois como o Amarante já disse, ' estamos aqui pra confundir' . Para quem perdeu, reprise do Pulso, na madrugada de hoje, às 2h 45min.
Pessoal, uma excelente entrevista com Kassin onde ele abre o jogo sobre a produção do 4, novo disco dos LH. Clique aqui no site Urbe. Ronaldo valeu a dica!
postado por: DANIEL DA COSTA JUNIOR 12:53 ::. Fórum .::
Terça-feira, Agosto 09, 2005
LOS HERMANOS NA REVISTA ÉPOCA Abaixo uma matéria falando do disco 4. Quem resenha é Beatriz Velloso. E mais um elogio da crítica especializada.
UM POP ESMERADO - A banda carioca Los Hermanos mistura tudo e mantém o estilo singular no novo CD, 4
"Dois Barcos" é triste. "Fez-se Mar" é um samba do tipo antiguinho com um coro que lembra as trilhas de Henry Mancini nos anos 60. "Paquetá" é um bolero gostoso, com clima de festa-baile da terceira idade. "O Vento" é pop, daueles bons de ouvir bem alto no carro. E "condicional" é rock, ponto final. A tentativa - arriscada - de descrever cinco faixas do novo álbum do grupo Los Hermanos deixa claro: é difícil demarcar os limites de estilo da banda carioca. O disco começa melancólico e fica mais alegre, para terminar tristonho novamente. Dá a impressão de ser muito simples, mas então surge um fagote, um vibrafone, um som familiar (e meio tosco) de teclado antigo. E percebe-se que há camadas além da superfície.
4 é, como já diz o título, o quarto CD de Marcelo Camelo, Rodrigo Amarante, Bruno Medina e Rodrigo Barba. Sucede o ótimo Ventura (2003), o cultuado Bloco do Eu Sozinho (2001) e o sucessão Los Hermanos (1999), onde estava "Anna Julia", música que deu fama ao grupo. O novo disco é mais uma prova que os três barbudos - e Bruno Medina, único de "cara limpa" - não se sentem tentados a tomar o caminho mais fácil. Ouvir 4 é perceber que a proposta aqui é fazer música, e não vender horrores e aparecer no Faustão. Los Hermanos continua sendo uma das bandas mais singulares do pop nacional.
É bom corrigir: a proposta é fazer música - e letra. Camelo e Amarante, compositores do grupo, são hábeis com as palavras. " Se eu agüento ouvir outro não/quem sabe um talvez ou um sim/eu mereça enfim/é que eu já sei de cor/qual o que dos quais/e poréns dos afins/pense bem/ou não pense assim", canta Amarante em "Paquetá". "Como se a alegria recolhesse a mão/pra não me alcançar/(...)ponho meu sapato novo e vou passear", confoma-se Camelo em "Sapato Novo". 4 é disco que se presta à simples curtição - ou a uma audição cuidadosa.
EXCLUSIVO: Blog Los Hermanos entrevista Bruno Medina
Confiram abaixo a entrevista que o Blog Los Hermanos fez com o Bruno Medina *
BLOG LOS HERMANOS: 4 é um disco singular (letras, arranjos, interpretações, instrumentos...). Isso parece óbvio, mas no leque das ingratas comparações com o que existe na música brasileira, este novo disco de vocês, não parece com nada produzido pela banda ou por outros. Dá pra dizer um pouco sobre o processo de produção, o que aconteceu, porque esse disco é tão "azul", tão mar e tão sereno?
BRUNO MEDINA: Não existe explicação para o disco. Explicar significa assumir uma verdade, e isso difícilmente acontece em nossos discos, até porque estamos tratando de música, que é uma pauta bastante subjetiva. Já dissemos em várias entrevistas que somos uma banda que costuma absorver as transformações que ocorrem em nossas vidas e, num período de dois anos entre o Ventura e o 4, é natural que soemos diferente. Foi sempre assim, francamente não consigo entender porque algumas pessoas ficaram tão surpresas. Acho que de um disco para o outro sempre houve uma mudança radical de rumo, portanto estamos sendo coerentes com o que fomos até agora. Acho que as pessoas idealizam muito, e realmente qualquer idealização é muito melhor que a realidade. Cada um imagina uma continuação para a banda, um jeito ideal e particular. Só que além dessas expectativas temos que lidar com as nossas próprias, e essas são as únicas que realmente podemos atender.
BLH: Qual o teu olhar, para os compositores Marcelo Camelo e Rodrigo Amarante? Como as canções feitas por eles e tocadas e arranjadas por vocês como banda, reverbera em você? Como elas te emocionam?
BRUNO: Acho que eles só crescem como compositores. Ambos são muito dedicados e possuem um dom, na minha opinião. Temos sorte de termos dois compositores tão talentosos e tão diferentes na mesma banda. A resposta do resto da sua pergunta está no disco; é daquele jeito que eles me emocionam.
BLH: O nome do cd gerou controvérsias e discussões entre os fãs. Alguns gostaram, outros tantos acharam simples e sem significado. Como se chegou a esse nome e por quê ?
BRUNO: Não entendo como o nome de um disco pode gerar controvérsia. Acho isso incrível, quase engraçado. Acho que muitos fãs se preocupam com coisas que não são relevantes na verdade. Claro que todo mundo tem o direito de gostar ou não de tudo, mas acho que esses debates deveriam acontecer em outro âmbito. Nós somos só uma banda, fazemos música. O padeiro faz pão, o engenheiro faz casas, nós fazemos músicas. Gostaria que isso fosse o que mais importasse, sabe? Gostaria que a música chegasse antes e mais forte do que qualquer outro aspecto da nossa profissão. O nome, a capa, a minha cara durante o show, nada disso deveria importar, o que importa é a música.
BLH: Já há alguma idéia ou previsão para a gravação do clipe de 'O Vento' ?
BRUNO: Tivemos uma idéia que está sendo aprimorada e o clipe será produzido rapidamente, possivelmente essa semana ainda, para não custar muito a chegar na tv.
BLH: Parece que o lance que eu chamo de "síndrome dos tons menores" foi deixado um pouco de lado neste cd, apesar das músicas carregarem essa melancolia no seu bojo, nos arranjos, nas letras; da última vez que nos falamos numa entrevista por e-mail, Camelo disse que esse era quase um motivo de piada entre a banda o lance dos tons menores. Como você pensa os acompanhamentos pras canções? As frases melódicas são suas? Reparei que você não usa muitos acordes, são mais frases... fale um pouco do processo de criação dos arranjos.
BRUNO: Não tenho um processo, eu sinto e faço o que ficar bonito. Às vezes é acorde, às vezes é melodia, mas como a harmonia já está sendo feita no violão ou na guitarra, eu procuro tornar o arranjo mais leve e por vezes faço um caminho melódico que destaca os intervalos mais interessantes, mas isso que eu disse eu inventei agora, não sei se é assim mesmo, hahahaha.....
BLH: Os arranjos deste disco são clean, silenciosos, com exceção de Horizonte Distante e Condicional...Foi fácil conter o Barba? Ele é um baterista de mão pesada...
BRUNO: As pessoas se equivocam muito em relação ao Barba. Realmente ele é um baterista muito vigoroso, mas, ao mesmo tempo, é um músico muito sensível e sabe servir a música como poucas vezes eu vi alguém fazer em qualquer instrumento. Acho que esse disco é dele, ele foi o hermano que mais arrebentou. Soube tocar pesado quando era pra ser pesado e sutil quando era pra ser sutil.
BLH: Há algum tempo divulgaram que o novo disco sairia com 15 músicas, fato que não ocorreu. Por que essas 3 músicas não entraram no reportório ? Elas podem ser lançadas posteriormente ou outro artista, pode gravá-las?
BRUNO: Não lembro disso. Acho difícil que isso tenha sido divulgado porque a intenção sempre foi a de fazer um disco menor, com menos músicas que o Ventura. As músicas que não entraram no disco podem ser aproveitadas em outra ocasião por nós mesmos ou por outros artistas, mas a gente pensa nisso mais pra frente....
BLH: Vai mudar o teu kit de instrumentos para a turne do 4? Eu sentia falta de um piano, mesmo (!) em Conversa de Botas Batidas... vai levar o Casiotone para os palcos? Quem vai tocar, você ou o Rodrigo?
BRUNO: Não, vou tocar com os mesmos teclados, na verdade vou até tirar um, aquele prateado, porque tenho usado pouco. Infelizmente, não existe um jeito honesto de levar um piano numa turnê, então vou continuar com meu marronzinho, que é meio um piano elétrico e supre bem a funcão. O casiotone é muito delicado para a estrada, sintetizei um timbre parecido e vou tocar a melodia eu mesmo, porque nessa hora o Rodrigo está cantando e tocando guitarra.
BLH: Eu entrei numa comunidade do Orkut outro dia e os caras estavam analisando se você era arrogante, tímido ou antipático... achei graça... por que desta curiosidade que as pessoas tem em relação ao Bruno Medina? Quando ele é o que mais se expressa no site, respondendo aos fãs, aparecendo em fotos ao lado deles...
BRUNO: Ah, é normal isso. Eu sou do jeito que eu sou, quem conhece sabe, quem não conhece idealiza. Eu realmente tenho momentos mais e menos simpáticos, aliás como qualquer ser humano, e não me sinto obrigado a ser diferente. É que nem quando as pessoas cobram da gente estar com o mesmo humor, alegria ou euforia em todos os shows, isso não é humano! Somos pessoas, com problemas, limitações, dias ruins, dias bons, e isso tem que transparecer na nossa música, porque ela ainda é feita com muita sinceridade. Claro que é muito fácil chegar no palco e distribuir sorrisos, tchauzinhos, mandar beijos pra platéia, mas aí a gente seria.....o Mickey, né?
BLH: Você ainda escuta Cardigans... ? O que tá tocando no cd player do Bruno? Los Hermanos 4?
BRUNO: Não gostei muito dos últimos discos do Cardigans, acho que a banda mudou para pior, e eu sinto muito, porque essa era uma das únicas bandas que todos nós gostávamos. Ainda ouvimos os primeiros discos deles, que tem arranjos e letras belíssimos. Ando curtindo Roberto Carlos (ganhamos aquela caixa da gravadora) e o Dark Side of the Moon, do Pink Floyd.
* Queria agradecer bastante o empenho e dedicação do Daniel Júnior, a pessoa que fez essa entrevista ser possível e que teve papel fundamental na elaboração das perguntas.
** Bebel Prates, muito obrigado pela atenção, delicadeza e educação com que você nos atendeu. Conte sempre conosco.
*** Nosso muito obrigado, principalmente, ao Bruno Medina pela gentileza de responder às nossas perguntas e por toda ajuda que sempre deu ao Blog Los Hermanos.
Saiu uma matéria muito negativa sobre os hermanos no site do Laboratório Pop, escrita por Mário Marques, que como todos sabem, já falou mal da banda em outras situações. Clique aqui para ler e dar sua opinião.
O novo disco dos Hermanos, está em primeiro lugar no Top 100 da Saraiva MegaStore. O disco 4, já se esgotou por duas vezes. Quem não comprou ainda, pode ir lá que agora já tem. Rua do Ouvidor, Centro do Rio de Janeiro.
Los Hermanos mudam para melhor em novo álbum 4 se notabiliza pelo intimismo, por canções lentas e belas, arranjos simples, letras reflexivas e sinais de amadurecimento
Fabio Motta/AE
São Paulo - Para quem conhece o perfil de Los Hermanos, era previsível que eles não seriam os mesmos no quarto álbum, intitulado 4 (Sony/BMG). Eles mudaram para melhor.
Produzido por Kassin, 4 se notabiliza pelo intimismo, por uma maioria de canções lentas e de grande beleza, arranjos simples e essenciais, letras reflexivas e sinais de amadurecimento profissional.
Das 12 faixas, Marcelo Camelo assina sete e Rodrigo Amarante, cinco, cada um sozinho na sua, inclusive ao dar voz às próprias criações.
O que não constitui grande novidade é alto grau de abstração (seria por timidez?) do grupo ao divulgar o trabalho. Ou seja, eles fizeram a parte deles, não tem graça explicar; a análise fica para a crítica.
"A gente se deixa guiar pelo afeto. Estamos só querendo fazer música bonita, que seja agradável para a gente tocar", diz Camelo. Sem nenhuma intenção no caminho, a mudança reflete um "movimento espontâneo, uma vontade de experimentar, de buscar novidades". Entre elas está a diminuição (quase eliminação) do naipe de metais dos arranjos.
Tudo que se especulou a respeito do disco, muito aguardado pelos fãs, até agora também não procede. Camelo diz que eles não se inspiraram no Wilco ("nunca ouvi", diz), não há referências intencionais a Dorival Caymmi, Caetano Veloso e Pink Floyd ("conheço aquelas quatro músicas" - que seriam de The Wall ou de The Dark Side of the Moon?). "Talvez até se pareça para quem conhece, mas nada é referencial nesse sentido", diz.
"A gente vai fazendo e descobrindo consonâncias de pensamento e intenção, vai sintonizando", diz o guitarrista, compositor e vocalista Rodrigo Amarante, que também fez a tosca pintura do encarte do CD (a capa é só um detalhe). "Sinto que escrever é um exercício de autoconhecimento, de autocrítica. É uma forma de se expor, não pelo simples fato de escrever. As letras têm relação com as coisas que penso. É difícil colocar isso em palavras, já que foi difícil colocar em palavras nas músicas."
Escolha certeira pelas afinidades estéticas, de linguagem e técnicas, Kassin considera 4 um sinal de evolução do grupo. Para Amarante este é um termo utópico. "É uma questão de ponto de vista. Darwin já não vigora. Quem não gosta do grupo não vai achar que se trata de evolução. Agora, mudar é melhor do que não mudar. Isso mostra um compromisso com nossas sensações, observações do mundo. Cada um vai achar o que quiser."
Mais do mesmo, mas com qualidade DANIEL BARBOSA/ ESPECIAL PARA O TEMPO
O novo álbum do Los Hermanos, batizado apenas '4', evidencia um grupo estabelecido - considerando-se o que pode haver de bom e de ruim nisso.
Neste recém-lançado trabalho, Marcelo Camelo, Rodrigo Amarante, Bruno Medina e Rodrigo Barba ratificam o tino aguçado para os arranjos elaborados e as melodias sinuosas, que, sem deixar de ser acessíveis, evitam lugares- comuns.
Não há como negar que o Los Hermanos conquistou um espaço que é só seu. Não há, no cenário pop rock nacional, outro grupo cujo trabalho se assemelhe ao dos Hermanos - ao menos não com a mesma proficiência.
Isso é sinônimo de originalidade, de personalidade. O grupo forjou o seu estilo e é único nele, quer dizer, é uma banda madura, estabelecida. Mas o termo 'estabelecido' também encerra o perigo da acomodação. Em '4', o Los Hermanos avança - e o que há é, de fato, um avanço - pouco em relação a 'Ventura'.
É aquela velha história: eles acharam um molde eficaz (e original, como já disse) para fazer suas músicas e parecem estar cada vez mais confortavelmente instalados nele.
Salvo raríssimas e geniais exceções - podemos citar, num extremo, João Gilberto, e noutro, os Ramones, que passaram a vida inteira repetindo a mesma coisa, mas com uma transcendência que não se explica - isso é sinônimo de inércia.
Sob muitos aspectos, '4' repete 'Ventura', com a vantagem de soar um pouco mais diverso. A melancolia, que parece ter se tornado a marca registrada do Los Hermanos, chega ao paroxismo nesse novo trabalho.
Faixas como 'Dois Barcos', 'Fez-se Mar', 'Os Pássaros', 'Sapato Novo', 'Pois É' ou 'É de Lágrima' são de doer de tão tristes, arrastadas e sombrias.
Em alguns casos, funciona: 'Fez-se Mar' é uma agradável levada bossa nova, 'Os Pássaros' é um blues lancinante e belo, uma das melhores músicas do CD, e 'É de Lágrima' tem uma melodia envolvente. De resto, o abuso da estética dor-de-cotovelo apenas entedia.
O problema é que quando resolve sair um pouco da fossa profunda em que está metido, o grupo parecer ficar sem rumo.
Senão, vejamos: a faixa 'Horizonte Distante' tem uma pegada roqueira das mais interessantes, que remete a coisas mais pesadas que pontuavam tanto o disco de estréia quanto o 'Bloco do Eu Sozinho', que permanece sendo o melhor trabalho dos Hermanos.
'Condicional' também vai por esse caminho, só que é um pouco mais amena no início e arrebatada ao final, o que suscita o rock'n'roll setentista.
Em oposição a esses dois acertos fora do universo da fossa, temos a faixa de trabalho, 'O Vento', que também tem uma pulsação um pouco menos letárgica, mas não passa de um pop venal, esquemático e burocrático.
'Morena' é outra que tenta ser mais pra cima, mas falta-lhe sabor - não há nela ingredientes que instiguem, que tirem da música o ranço da trivialidade. Mas, entre mortos e feridos, pode-se dizer que '4' é um disco honesto, que certamente não vai decepcionar os fãs do grupo.
AGENDA - '4', do Los Hermanos. Lançamento Sony/BMG. Preço médio: R$ 32.