PNN - Portuguese News Network - Entrevista Los Hermanos
Entrevista:
Los Hermanos querem conquistar público português por Ígor Lopes
Quatro integrantes, quatro álbuns e um sonho realizado. Em 1999, a música "Anna Júlia" lançou Los Hermanos no mercado brasileiro de música. A cada apresentação, esta canção é obrigatória. Mas com o passar dos anos, o grupo "mudou", o estilo é outro e a música principal também.
Actualmente, o público brasileiro reconhece e valoriza o trabalho da banda, que lançou, em 2005, o seu último trabalho. Mas falta agora conquistar o mercado internacional. E nada melhor que actuar num mercado onde a língua é igual a das letras das músicas. Para isso, o grupo embarcou, pela quinta vez, para Portugal, onde encantou os portugueses com o seu ritmo.
Em Março, tocou nas cidades de Beja, Faro, Viseu, Famalicão, Braga, Porto e Lisboa, sempre na presença da banda portuguesa Toranja que, em parceria com o Los Hermanos, vão estar no Brasil ainda este ano. Ao todo, foram sete dias de música que alegraram a plateia portuguesa. Em Julho, a banda promete voltar a Portugal.
Para saber mais dessa parceria e dos projectos do Los Hermanos, conversamos com Bruno Medina, tecladista da banda brasileira, que falou da nova fase do grupo, do contacto com o público em Portugal e da influência da música "Anna Júlia" nos espectáculos.
Qual é o balanço que a banda faz da digressão em Portugal? Bruno Medina: Sinto que evoluímos no contacto com o público português. Acho que o facto de termos tocado juntamente com o Toranja, fez com que ganhássemos projecção junto de outro público que não nos conhecia. Parece-me que outras oportunidades como esta serão a consequência natural do trabalho agora realizado.
Qual é o objectivo dessa "união" com os Toranja? O intuito é que uma banda apresente a outra no país estrangeiro, ou seja, essa é uma forma de facilitar a entrada dos dois grupos nos dois mercados.
Na sua opinião, o grupo português segue as mesmas tendências do Los Hermanos? Existem, sim, coincidências, tanto é que nos demos bem, não houve nenhum tipo de problema. Acho que ambas as bandas vêem o mercado da mesma forma e objectivam coisas parecidas.
Os Toranja também vão tocar no Brasil. Não há datas definidas ainda, mas, por enquanto, vão se apresentar no Rio de Janeiro, São Paulo, Brasília e Goiânia.
Como avaliam o público português? É mais atencioso e silencioso do que o público brasileiro, o que funciona bastante em ambientes como teatros, justamente onde aconteceram todos os nossos concertos em Portugal. Acredito que os portugueses são um público que precisa ser conquistado, pois não se rende por pouco.
A presença de brasileiros nos espectáculos ajuda? Os brasileiros sempre tentam criar uma atmosfera com a qual estamos acostumados. Talvez para o público brasileiro, o silêncio dos portugueses possa parecer que nos está a incomodar, mas entendo essa atitude como um acto de interesse e respeito pelo nosso trabalho.
Em relação ao festival Rock in Rio, que este ano vai ter lugar, novamente, em Lisboa, não acha que seria uma boa porta de entrada do Los Hermanos no mercado português? Não sei. Os grandes festivais são muito dispersivos e não são ambientes propícios para se conhecer novas bandas, mas sim celebrar colectivamente o conhecimento da banda da qual já se é fã. Acho uma ilusão pensar que se submeter a uma plateia numerosa e desatenta é mais importante do que tocar para um público menor e interessado.
Sentem que o trabalho do grupo é valorizado em Portugal? Sim, sinto que é valorizado, mas ainda muito pouco conhecido.
Hoje em dia, a banda conta já com quatro álbuns editados, além de outros trabalhos. Na sua opinião, há muita diferença do primeiro para o último cd? Sim, muita. E essa diferença acontece com o passar dos anos. É natural que o tempo nos transforme.
O hit "Anna Júlia" até hoje é o mais conhecido do público. Como é trabalhar em outros CD´s tendo esta música tão presente? Ela ainda é uma tendência? De forma alguma. Na verdade seguimos um caminho muito distinto, mas isso foi um problema por muito tempo. Todos os álbuns tiveram o seu reconhecimento e espaço, de forma que a essa música, actualmente, não faz muita diferença no nosso dia a dia.
Certamente esta música é sempre requisitada durante a performance da banda, como se fosse um hino. Em Portugal também foi assim? Em Portugal foi mais do que no Brasil. Como disse, os outros discos geraram novos fãs, que conheceram a banda em outra fase e não sentem falta dessa música.
Que compositores ou bandas portuguesas se aproximam do trabalho do Los Hermanos? Infelizmente, no Brasil não temos um grande conhecimento da produção musical em Portugal. Esperamos que a cada visita nos possamos tornar mais íntimos da música portuguesa.
Para terminar, como é que o grupo se vê hoje em dia? Há algum novo projecto? Somos uma banda que tem um público bastante considerável no Brasil. Um público dedicado, fiel e em constante crescimento. Nossa posição dentro do mercado é bastante confortável, tendo o respeito de todas as partes incluídas.
Aconteceu nesse domingo o show da Orquestra Imperial, que tem como integrante o Rodrigo Amarante, no Abril pro Rock 2006. Confira a crítica do JC On Line e algumas fotos abaixo.
"A big band Orquestra Imperial, uma das atrações mais aguardadas, foi a responsável por fechar a noite. Com 19 pessoas no palco, entre elas Rodrigo Amarante (Los Hermanos), os produtores Kassin e Bernas Ceppas, a atriz global e cantora Thalma de Freitas e o baterista e sambista Wilson das Neves, o projeto é inspirado nas orquestras de gafieira. O repertório é eclético e até irreverente. Além de sambas, instrumentais e canções de baile para dançar agarradinho, a orquestra tocou Vem fazer glu-glu, composição da época de apresentador infantil de Sérgio Malandro.
Famosa por ter sempre convidados ilustres como Caetano Veloso e Marisa Monte em suas temporadas badaladas de shows no Rio de Janeiro, no Recife, a banda recebeu o cantor e compositor Jorge Mautner, que entre outras canções, interpretou Maracatu atômico, música de sua autoria, famosa nos anos 90 pela gravação de Chico Science e Nação Zumbi."
Este ano, os grupos Los Hermanos e Capital Inicial foram os campeões em indicações, com cinco quesitos cada. O Los Hermanos disputa melhor grupo, melhor instrumentista (Rodrigo Amarante), melhor CD (4), melhor show e melhor música (O Vento). Já o Capital inicial concorre em melhor grupo, melhor instrumentista (Yes Passarelli), melhor DVD (Capital Inicial Aborto Elétrico), melhor show e melhor cantor (Dinho Ouro Preto).
Começou a segunda fase da votação dos melhores da Música Popular Brasileira que disputam o 13º Prêmio Multishow, que acontece no dia 16 de maio no Theatro Municipal do Rio de Janeiro. Quem ainda não votou em seu artista preferido tem até o dia 10 de maio para participar. As categorias são cantor, cantora, CD, clipe, grupo, show, instrumentista, música, DVD e revelação. A votação é feita através do site Multishow
postado por: DANIEL DA COSTA JUNIOR 00:05 ::. Fórum .::
Sexta-feira, Abril 07, 2006
Relato de um fã português sobre o show dos hermanos
O Pedro Nascimento gentilmente cedeu-nos um texto sobre a sua experiência no show da banda em Portugal. Confiram abaixo.
Lisboa, 26 de Março de 2006
«Boa noite»
Marcelo Camelo cumprimenta uma fria plateia cheia de gente nova que não o conhece. Nem aos seus companheiros. Tem uma vaga ideia de que «Los Hermanos» é capaz de ser uma banda conhecida, e mesmo assim a ideia mais próxima que tem da sua música é «Anna Júlia», que a banda já não toca.
A Aula Magna da Reitoria da Universidade de Lisboa não tinha as cadeiras todas ocupadas e arrisco dizer que 90% dos que ali estavam queria ver a banda que vinha a seguir. Fraca promoção, coisa de amador. Não tem cabimento um concerto GRATUITO não encher uma sala que não leva mais de duas mil pessoas. Mas enfim. Isso não desmotivou os poucos (mas excelentes!) fãs de Los Hermanos, que cantaram tudo o que conseguiram ao compasso inspirado dos Rodrigos, de Bruno e Marcelo. Foi transa total com o povo.
Lenta e suavemente, entrando com a mesma sequência de arranque do último trabalho, «4», a banda começou a namorar o público de Lisboa e acabou se enturmando com mais gente do que se esperava. À chegada de «Todo o Carnaval tem seu fim», essa espécie de "marcha-rock" do «Bloco», os Los Hermanos tinham quase meia sala de pé, aos saltos.
Não foi, certamente, o espectáculo que mais gozo deu fazer aos Los Hermanos. Mas para quem viu (e, sobretudo, ouviu), foi mais um momento intimista, quase como se cada fã sentisse, em algum momento, que estava sozinho naquela sala e que as guitarras de Marcelo e Rodrigo tocavam somente para si.
Parece que o amor chegou... aí...
...eu não estava lá... mas eu vi...
Em mais do que um momento os Los Hermanos reduziram a Aula Magna à dimensão de uma sala de estar. Marcelo canta «Fez-se mar» com o veludo melancólico de quem canta para amigos ao compasso da lenha a estalar na lareira, numa salinha iluminada pela metade, sobre uma manta coçada pelo tempo.
Entre uma oitava e outra, convidam-nos a cantar. Num sussurro. Nada de estridente, nada que consuma a magia do momento. Um momento, arrisco, de amigos para amigos. De quatro amigos para as centenas de outros amigos que convidaram para a sua "sala de estar" daquela noite.
Clareira no tempo
Cadeia das horas
Eu meço no vento
O passo das horas
Não consegui medir o tempo e ele passou a correr, encadeado na pressa das horas. Mais tempo fosse, mais teria ficado ali pertinho, de olhos fechados, como se tivesse viajado para outro universo paralelo.
Mas, ao contrário do poema de Marcelo, eu estava lá. E (ou)vi.
Deixa eu brincar de ser feliz
Deixa eu pintar o meu nariz...
O site Gafieiras fez uma entrevista de muita qualidade com os Los Hermanos em dezembro de 2005. Descontraída, toca em alguns lugares comuns, como a velha briga com a Abril, mas se destaca pela naturalidade como os hermanos participaram da conversa. Para ler, clique aqui.
postado por: DANIEL DA COSTA JUNIOR 22:26 ::. Fórum .::